quarta-feira, 18 de março de 2009

Paternidade...em CV

É fácil ser pai em Cabo-verde...isso assumindo que ser pai é depositar o espermatozóide vencedor no óvulo que se deixou apanhar (consciente ou não).
Quando ouço falar em paternidade responsável só me apetece dar o meu sorriso nº 33.
Como é que os governantes enchem a boca para falar nisso quando na prática temos leis que não vão de encontro a essa preocupação e nem instituições preparadas para tal (sem falar nos machos cuja mentalidade é do tempo dos dinossauros e agem como animais!). Senão vejamos:
1 - A lei do trabalho foi revista há pouco tempo pelo que é “actual”. Para as mães ficou mais favorável, de 45 dias elas passaram a ter 60 dias de licença de maternidade…muito bem…podia ser mais incluindo a opção de esticar a licença e receber menos (a exemplo de Portugal). Assim a lei ficaria melhor sintonizada com a política de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. (Poderiam dizer que os 45 minutos por período chegam…mas acreditem não chegam, principalmente nos 4 primeiros meses.)
Mas, como dizia, para as mães a lei ficou mais favorável mas para os pais…bem…os “pobres” têm direito a 2 dias…mas estes dois dias são considerados faltas (justificáveis eu sei…mas não deixam de ser FALTAS!!). Eles têm menos dias que para as situações de casamento e morte!!
Porquê aumentar estes dias?!? Na minha “modesta” opinião o pai tem o direito de desfrutar e partilhar o momento do nascimento dos filhos com as mães. Mas mais do que isso… os primeiros dias são tão intensos/confusos para ela que precisa se sentir apoiada...quem melhor que o pai? Ouço queixas das mães sobre o pai que não se levanta para ajudar…mas como (?) se no dia seguinte ele vai trabalhar e ela fica em casa? Como se passados os 2 meses, eles já acham que a mãe já se dá conta tão bem que nem se lembram de oferecer ajuda?…afinal agora os dois vão trabalhar (não me venham com a desculpa que pai não tem mama…tem dois braços para trocar a fralda, fazer arrotar…e fazer companhia!!!).
2 – Quando digo que as instituições não estão preparadas refiro-me tanto a nível de infra-estruturas como a nível do pessoal. Em termos de infra-estruturas, os hospitais não estão preparados para o pai que queira assistir o nascimento, e nem para acompanhar a mãe às consultas! Quando falo do pessoal…bem…os olhares que deitavam ao meu marido sempre que ele me acompanhava faziam-no sentir um verdadeiro ET.

É claro que melhorando a lei e criando condições nas instituições para um melhor acompanhamento dos pais não chega para se ter uma paternidade mais responsável…mas ajuda e dá motivação para aqueles que querem vivenciar todas as etapas da geração de um filho. Quanto àqueles machos que só espalham a semente e não querem saber da colheita…um dia cairão em extinção se todos os pais (principalmente as mães) derem uma pequena ajuda: não educarem os filhos de forma machista!!!

6 comentários:

Anónimo disse...

1o querem ser mãe, mostrarem que já são mulheres e decidem que querem engravidar, presumindo que isso acontece só quando querem, depois de se depararem com a realidade começam as queixas..

Tsc., tsc.

vl disse...

Oi MS.
No outro dia tive à conversa com uma senhora que defende que são os HOMENS quem deve ter cuidado ao escolher a mãe dos seus filhos, pois para ela a base da EDUCAÇÃO está na mãe o que não deixa de ser verdade. Senão vejamos:quem carrega o filho no ventre, quem amamenta, quem apresenta o filho(a) no pai, avós, tias e companhia limitada? A mãe.

Quem, sempre que o filho está doente, tem festa de aniversário, festa na escola, vai ao PMI etc..está sempre presente, mesmo que o pai vá junto? a MÃE.

E por ultimo, todos os homens MACHISTAS e mulheres MACHISTAS que temos nessa nossa bela sociedade é por culpa das MÃES. Os pais podem até querer mandar, impôr, mas a MÃE quando quer e se quiser é a TODA PODEROSA
;)

VL, uma mãe com muito orgulho disse...

Oh anónimo

Até parece que para engravidar basta só o ovulo.
Para tua informação quem mais se queixa dos filhos quando são bébes são os HOMENS.
Eles ficam ADMIRADOS em como os bébes choram, cagam e fazem xixi.
Ficam mais ADMIRADOS em como adoencem, em como tem de ir ao PMI todos os meses
Em como as fraldas são caras etc etc

E isso acontece porque eles acham que ser pai é apanhar o filho limpinho cheirosinho e educadinho e mostrar para os amigos.

e por pensarem assim e agirem assim é que perdem os melhores momentos e os melhores anos dos filhos. E quando esses crescem e são uns falhados a culpa é da mãe, mas se são uns sucessos é OBRA MINHA.

Portanto Anónimo, o que para ti é queixa das mulheres, para nós as mulheres é ser pai, pois ser pai assim como mãe, não é quem faz/parir, mas sim quem cria e educa.

Assinado VL, uma mãe com muito orgulho.

Kiss-Flower disse...

Olá!
De facto cada país com seus timings.
Por Portugal está tudo uma confusão com a alteração da licença pois o Estado quer que o Pai fique 1 mes após a licença da Mae com a criança.

Acho importante o Pai estar presente e participar mas a nível social como é visto essa modificação? O ano passado foram somente perto de 4300 Pais que solicitaram e gozaram os 15 dias a seguir ao vencimento da licença da Mãe.

Temos de ir por partes. A imposição estatal é importante mas ao mesmo tempo o Estado tem de criar condições para que haja uma partilha no cuidado de um Filho.

Tanto em Portugal como em Cabo Verde.

Bijim

João Branco disse...

Eu ADORO ser pai e fazer tudo isso que disseste: trocar fraldas, dar biberão, contar histórias para adormecer... Confesso que aturar a mãe nos primeiros dias foi um pouco complicado. Primeiro temos toda a desregulação hormonal resultante da própria gravidez e entre os 9 meses, temos que nos sujeitar, além dos desejos impossíveis de satisfazer, a vários tsunamis emocionais. Pior é a chamada depressão pós-parto. Mas basta pensar-se no sofrimento cavalar que a mulher tem por altura do parto, basta pensar-se um bocadinho nessa dávida que é um bébé teu (no meu caso, duas meninas, hoje uma com onze e outra com 3 anos) e a gente aguenta tudo. Até a chamada pré depressão pós parto! Os choros a meio da noite, as dores de barriga, os dentes a crescerem, as febres, os cócós (que por enquanto que mamam até tem um cheiro agradável embora a cor verde seja grotesca!), enfim, tudo isso que faz parte também de ser-se pai, deu-me um prazer inolvidável.

Eu como pai, não ajudo. Faço a minha parte. Tão simples quanto isso. E adoro!

Beijos e continuação de excelente maternidade.

MS-Mnininha Soncente disse...

Anónimo...nem me vou dignar de comentar. Como diz o bom criolo "mei t'ston ca tem troc"
Kiss, a legislação não mudará a mentalidade mas ajudará àqueles que realmente desejam participar.
João...disseste tudo..é fazer a tua parte. Mas sabes a mulher já tá tão acostumada com os "anónimos da vida" que encara a participação do pai como uma ajuda!