quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Crise em miúdos ou para miúdos...Parte II

... continuando...

Tudo se relaciona com os empréstimos / créditos...e os riscos associados (de reaverem o dinheiro).
Quando decidimos emprestar dinheiro ou qualquer coisa a um terceiro, avaliamos a probabilidade de termos a "coisa" de volta. Se já sabemos que a pessoa é caloteira (porque já ouvimos dizer por aí, ou em situações similares nunca chegou a devolver aqueles 100$00 ou então aquele livro que teve ao invés de VV -vai e volta- ficou FF -foi e ficou) a probabilidade de emprestarmos algo à essa pessoa é nula ou muito baixa (salvaguardando aqui aquelas pessoas que continuam a acreditar na infinita regeneração da raça humana) - ou seja avaliamos o risco-. É o que fazem os bancos nos esmiuçam a nossa vida financeira antes de nos darem um empréstimo. Se repararmos as taxas para habitação são mais baixas que os de consumo...porquê? porque, EM PRINCÍPIO, o risco é menor. Se não pagarmos ficam com a casa. Para o consumo (compra de um carro por exemplo)...o risco de não reaverem o dinheiro é mais elevado (o carro desvaloriza-se). O que significa que quanto maior o risco maior é a taxa (compensação pelo risco). Os bancos (os comerciais) não têm árvores de dinheiro ou máquinas de fazerem o papel, para disponibilizarem-nos o dim-dim vão a outras instituições emprestar dinheiro (Banco Central por exemplo) a um custo muito menor é claro (a injecção de dinheiro na economia pelo banco central não é uma medida para ser tomada de ânimo leve...acarreta muitas coisas que por hora não são aqui chamadas).
A diferença entre o preço que nos vendem o dinheiro e o preço que compram, constitui o "lucro" que podem aplicar, comprando produtos/títulos de outras instituições/empresas (exemplo acções e aqueles produtos criativos com siglas e nomenclaturas complicadas) Colocando a coisa de forma muiiiito simplista - se não pagamos ao banco, o banco não tem dinheiro para pagar o seu empréstimo...e o outro fica a ver navios...ainda ficam as aplicações...mas se accionamos os títulos (ex as acções) que compramos com nossos fundos e a instituição devedora também não tem dinheiro porque entretanto seus clientes não pagam...aí nem navios...é o tipo pescadinha de rabo na boca.
Tendo por base esta historinha da carochinha... podemos avançar para o mundo da crise... Já com certeza ouviram falar que a culpa desta crise é do Suprime (não é o verbo suprimir...)! Pois este nome serve para designar o empréstimo considerado como sendo de um risco elevado pois tem a maior probabilidade de entrarem naquilo que os economistas chamam de inadimplência (vulgo Calote!!). São empréstimos concedidos à pessoas cuja capacidade de pagamento não é tãooo certo ( a sua capacidade de pagamento é duvidável devido ao risco que constituem por terem outros créditos por exemplo, ou a sua liquidez é reduzida). Há também o chamado Prime e o Default... São todos empréstimos classificados de acordo com o risco. O Prime é quando o risco é o menor de todos e o Default quando o risco de não haver pagamento já não é bem risco é quase quase uma certeza...é quando o crédito já está em atraso e está na fase de renegociação...
Próximo capítulo...a explicação KISS para a crise...

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