quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Gravidez na adolescência (O caso)

Confesso que este assunto já me tinha ocorrido antes de ler o Post no Soncent e no do Paulino... pelo que farei um eco aqui no Retalhos.
Dei de caras com este “problema” numa deslocação que fiz ao PMI-PF da Fazenda, onde perdida fui dar de caras com um gabinete de “atendimento específico” e bati com as fuças numa miúda, que me pareceu ter não mais que 15 anos e já com uma barriga proeminente. Confesso que fiquei chocada (tão novita) e mais ainda quando ouço a forma “rude” como uma servente lhe dirige a palavra. Eu fiquei ali a pensar o que poderia estar a passar na cabeça daquela adolescente. A adolescência por si só é uma fase da vida muito complicada, com as hormonas aos saltos e tentativas de afirmação, se adicionarmos então uma gravidez, que em qualquer altura da vida é outra explosão de guerras hormonais, com o corpo a transformar e a cabecinha a mil, deve ser algo surreal. E como não bastasse a sociedade ainda dá mais uma ajudinha preciosa com a recriminação, descriminação e outros “çãos” que não me ocorrem agora. Quanto a mim há que encarar os factos. Por mais que se informe, vai haver sempre gravidez precoce. Vale a pena investir, também, no fortalecimento do carácter e auto-estima dos jovens (tarefa dos pais) e criar um quadro jurídico que proteja as mães adolescentes (governo). Neste âmbito salvaguardar os direitos da mãe em estudar, ter possibilidade de exames em épocas especiais e um período de licença de maternidade (excluindo assim a possibilidade de perder o ano por faltas). Sim direitos!!! Não é porque uma adolescente engravidou que ela perde seus direitos (sem falar que para o pai é como se este problema nem existisse - mais uma vez a mulher a arcar com todas as consequências!!).
Escorraçar da escola é a pior emenda que se pode fazer. Num país que se combate a evasão escolar é no mínimo uma medida contraditória. Dizer que se protegem as outras “crianças”, penso que é afasta-las da realidade e isso nunca é bom. É tirar à jovem mãe que já perdeu muito, uma ferramenta fulcral para que possa futuramente ter condições de criar seu filho (um ano escolar é muito!!) é fazer com que a jovem mãe para além de arcar com os mil e um problemas que a gravidez traz tenha de sofrer ainda mais pressão e descriminação com todos as consequências que advêm disso. É fazer com que a mãe e a criança corram riscos, pois com medo de ser escorraçada da escola, ela pode esconder a gravidez e fazer com que a assistência pré-natal não seja efectuada...(sem falar da possibilidade de recorrem a métodos esdrúxulos para abortarem).
No mínimo (dos mínimos) podiam deixar à jovem mãe a possibilidade de escolha…de seguir ou não com os estudos.

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