segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Tempo...


O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tinha...e eu aposto que o tempo respondeu que não tinha tempo para o tempo...

O que mais ouço, de mim e de pessoas que me rodeiam, é: "não tenho/tive tempo". Que está a acontecer? A tecnologia veio para nos ajudar a ter mais tempo e no entanto padecemos do mal de "sem tempo"- os meios de transporte e de comunicação evoluíram de tal forma que em 24 horas podemos tomar o pequeno almoço no Café Mindelo (S.Vicente), almoçar no Poeta (Santiago), jantar no Odju d'agua (Sal) e quiçá fazer a paródia no Acid Place (S.Vicente) e entretanto ter participado de uma reunião, via Vídeo-conferência, com alguns consultores em Portugal.
Actualmente sinto que não se vive, sobrevive-se, somos consumidos pelo atropelo das horas, engolidos pelas falsas pressas e prioridades duvidosas.
De quando em quando acordamos e verificamos espantados: “Minha nossa…como o tempo passou?” “O quê? Já se passou assim tanto tempo?”- sim! Já passou; Um dia tem 24 horas ou 1.440 minutos ou 86.400 segundos e quando paro para pensar, vejo que não sou dona de nem metade deste tempo e se me pergunto se gastei 1/3 desse tempo a ser feliz…nem ouso responder.
É assustador pensar que, após a comida, a roupa, os electrodomésticos, os relacionamentos, até o tempo entrou na era do fast. Tudo dura o tempo de se tornar dispensável, substituído, consumido...e os únicos culpados somos nós, que andamos sem tempo para parar um pouco e viver os 86.400 com respeito e amor ao próximo e ao que nos rodeia... um dia quando acordarmos de vez...talvez seja tarde.

(Acordei com a panca hoje, não sei porque coloquei este post...apenas achei que devia...)

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