segunda-feira, 9 de abril de 2007

Fortim d'El Rei...

(foto do fortim e de uma das vistas sobre Mindelo)
Ando mesmo alienada do que anda a acontecer ao meu país!!! Já num post anterior tinha assumido que deveria ficar preocupada com algumas questões…mas ando mesmo virada para mim, egoísta, assumo, mas sinto-me feliz e vejo tudo dourado à volta...fazer o quê? Mas eis que hoje um amigo conseguiu tirar-me deste estado de graça, quando me direccionou para um post do seu blog (cliquem para irem ao post) sobre o Fortim… e lá fui bisbilhotar. Aquilo inquietou-me, até porque já tinha remetido este assunto para o lado quando li, há um tempo atrás, num outro blog (cliquem outra vez) que afinal aquilo não ia ser tão mau… Mas hoje…outra vez…e chamem-me supersticiosa, mas quando as coisas vem ter comigo pela segunda vez é que merecem uma reflexão da minha parte. Ora vejamos:
Com que então será construído um complexo turístico no Fortim? Boa ideia? Não sei! (posição cómoda, diriam mas é a mais pura verdade).
Quando lembro do Fortim as coisas que me vêem a memória são: a paisagem lindíssima que se tem de Mindelo, os encontros às escondidas, os casais de namorados e amantes.
Quantos "3Vinténs" já foram perdidos aí? Quantas promessas foram feitas ali? Quantos filhos já foram gerados tendo por voyeur aquelas velhas paredes que no passado testemunharam acontecimentos tão menos prazerosos. Chamem-me romântica, talvez seja, talvez seja do momento.
Votado ao abandono, o Fortim serve, de momento, para o depósito de coisas menos nobres. As paredes, que entretanto serviram de quadro para os amores mais arrebatadores ou apenas marco de que alguém esteve aí, estão caindo aos pedaços e albergam esconderijos a outros vícios que não o de amar.
Mas não vejo neste quadro uma desculpa para “ser doado” ao grupo NIKKIBEACH (ao que parece famosérrimo e poderosérrimo). Sendo assim estamos a dar dicas ao Governo “ não mexam nos monumentos históricos, deixem que caiam aos pedaços até desaparecerem, pois assim desaparecerão da memória dos mais incautos e poderemos vender o terreno” Será!? Não acho!!! Será que com a construção do casino, do Hotel de 5*, como ficará o acesso? Poderei depois ver o por do sol ou o acordar do Mindelo sem que um brutamontes de um segurança me chateie o juízo? Qual o impacto social (real, não o dos sonhadores dos nossos (des)governantes))de um empreendimento destes na ilha?
A reabilitação do espaço e a construção de um museu, biblioteca, sei lá, outra coisa mais “NOSSA”, mais digna do Fortim não seria possível!?!?!
Raios que já começo a ficar preocupada com o “Cabo-verde está na moda!”.

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