sexta-feira, 9 de março de 2007

TACV ...


Hoje tive mais um daqueles encontros de 3º grau com a nossa querida e amantíssima empresa transportadora aérea, vulgo TACV. Tinha uma esperança, não uma GRAAANDEE, uma pequenina, ok, confesso, uma pequerrucha esperança (ou não fosse cabo-verdiana) de que com a onda de despedimentos, o pessoal estaria a esmerar-se…QUAL QUÊ?!?!?!Tá tudo "numa nice”, “não se passa nada”, “tá-se beemm”. Continuam a tratar os passageiros como pedintes ou coisa pior. Lembrei-me e revivi os inúmeros encontros e apeteceu-me desancar alguém e dizer coisas menos próprias... tipo " se fores a próxima vítima, talvez não terei de gramar tua cara num próximo encontro"...MAS como sou boa cristã (muiiiiiiito boazinha), reflecti e com calma procurei outro serviço e meu problema foi resolvido, vá lá que há sempre as excepções para confirmarem as regras.
Por pouco ia-me tornar mais numa daquelas pessoas que estão a congratular com a desgraça alheia (os famosos despedimentos). Encaro isso numa lógica de gestão e não pessoal. Se a empresa tem de se tornar competitiva, se a empresa tem excesso de trabalhadores e ainda por cima ineficientes (estou a ser muito boazinha, mas não encontrei uma palavra que pudesse não ser insultuosa), continuando…se a empresa tem um cocktail de problemas…meus amigos, tem de se começar por algum lado. Longe de dar uma de guru de gestão, mas começa-se sempre pelos custos que conseguimos controlar…e o “dito” (a quem deve, neste momento, ter mais nomes que os filhos da realeza portuguesa e os ouvidos da mãe dele devem zunir a toda a hora), começou pelo pessoal. LÓGICO!! Que o nosso “Prime Minister” tenha dado um nome chique aos despedimentos, que as pessoas refiram a isso como uma redução, ao fim ao cabo, na prática, é tudo a mesma "substância malcheirosa", isso não importa. Era necessário.
Já ouvi e li muitos comentários de pessoas a baterem palmas, não pela medida em si, mas pelo infortúnio dos despedidos. Aproveitaram o momento para descarregarem toda a frustração que já passaram pelas mãos da TACV. É só consultarem os jornais on-line e verificarem que é uma verdadeira sessão de terapia de grupo, são os PAVT (passageiros anónimos vitimas dos TACV) (puxa estou espantada com minha criatividade, a sonoridade da palavra parece um estalo, mesmo a condizer com a situação). Bem, longe de querer fazer parte do grupo, nesse meu encontro de 3º grau, respirei fundo e disse para mim mesma, a mentalidade vai mudar, tem de mudar ... Mas pessoal temos de rever nossa posição perante a nossa sociedade e principalmente nossa posição em relação à empresa onde trabalhamos! É URGENTE.

2 comentários:

João disse...

Só tenho uma coisa a dizer:
PARABÉNS!!!!!
pelo conteúdo e pela forma como o apresentaste.
Assim vale a pena navegar em blogs.
Nunca pares, please!!!!!

Olga Margarida Evora disse...

Concordo mais uma vez, até porque encontros de 3º grau com os tacv é coisa que não falta na minha curta existência. (curta, salvo seja, já lá vão 30, mas considerando que só tenho 8 de Cabo Verde)
Em relação aos despedimentos, a situação é complicada pelo seguinte (não estou a ser boazinha, nem acho que nao devessem ser feitos): quando se fala em re-estruturações e redução de custos a primeira coisa que nos lembramos e a mais fácil é despedir pessoal. Na minha opinião é claro que os TACV têm pessoal a mais, mas a forma como as coisas têm sido conduzidas não tem sido a melhor. Ainda, a resolução dos problemas dos TACV não passam só por despedir pessoal, mas também pôr os que lá ficarem a trabalhar de forma diferente, eficiente e eficaz e isso só é possível com lideres capazes e com profundas alterações das atitudes e processos na empresa. Não sei como se gere uma empresa de transportes aéreos, mas sei uma coisa: só se consegue levar qualquer empresa em frente com a valorização dos seus quadros. Agora me lembrei da Electra: têm problemas - sobem o preço da electricidade! Mas será que reduzir a ineficiência não era melhor quer para a empresa, quer para o consumidor, quer para o N/ maravilhoso país?