quinta-feira, 22 de março de 2007

Loucuras d'Amor


Desenganem-se aqueles que pensam que vou falar sobre minhas loucuras d’amor. Nada disso. Estou a falar de uma peça de teatro. Ainda não tinha dito nada sobre as peças que têm sido apresentadas neste "Março-Mês de Teatro".
Pois é, fui ver “loucuras d’amor” do atelier teatrakácia (não imaginam as vezes que tive de ler esta palavrinha até a pronunciar, depois “descobri” - suponho! - que era a ligação teatro e acácia (árvore resistente à seca)). A outra peça “Mulheres na Laginha”, foi impossível. Esgotado 4 dias consecutivos! (dou a mão à palmatória, ou o povo mindelense está muito ligado nisso do teatro, ou então a enchente foi porque nesses dias os canais de tv a cabo não estavam a funcionar - espero bem que não!!!). Sobre essa peça – “mulheres na Laginha” - ouvi opiniões contrárias e como não vi (mas gostaria de ter visto) não vou comentar.
Loucuras d’amor é uma peça baseada nos textos do conto “A vida como ela é” de Nelson Rodrigues. Versa sobre as relações amorosas e seus problemas: A rotina e a monotonia que os relacionamentos caem, relações a três e aparências. Um cenário interessante, mais ainda com todos os atropelos que surgiam cada vez que tinham de acertar as duas peças (saiu bem à primeira…mas depois…). O grupo incutiu nos textos expressões e vivências mindelenses e conseguiu tirar boas gargalhadas ao público. Sala cheia, público educado (não houve nenhum engraçadinho a atender o móvel, aliás não se ouviu um toque do novo apêndice humano). No final era patente a satisfação do público. Quanto a mim, soube-me a pouco. Por se tratar de um tema tão vasto, que mexe com muitos valores, valores estes que, cada dia, parecem relegados para segundo plano, era de se ponderar uma abordagem um pouco mais directa e um pouco mais séria. Porém é de realçar que uma hora e meia de espectáculo não dá muita margem de manobra e parece-me que o público aprecia muito mais uma comédia. Ao sair um sentimento… valeu a pena (para mim), a verdade é que ri, diverti-me, descontraí depois do dia de cão que tinha tido.
Espero que mesmo através da forma cómica, tenham conseguido despertar no público a consciência que é preciso diálogo, por a mão na ferida para se poder cura-la. Pelo menos, no meio das gargalhadas, tive tempo de “olhar para meu umbigo”. Se me perguntarem se vale a pena assistir, sou obrigada a responder “assim-assim”, pois depende dos olhos de quem vê! Não deixem que as opiniões dos outros influenciem as vossas escolhas. Quem puder, que vá e constate com seus próprios olhos.

3 comentários:

Adelaide disse...

Fico feliz por saber que o público cabo-verdiano está a aderir aos espectáulos dos nossos artistas,... já não só na música mas também em áreas como o teatro... Isso demonstra uma forma de enriquecermos a nossa cultura e de apreciar o bom desempenho daqueles que, por profissão ou mesmo prazer, se esmeram para nos proporcionar belos, e muitas vezes, momentos de lazer inesquecíveis.
Os meus parabéns aos artistas e ao público:)

Tó disse...

Aproveito para dar os meus parabéns aos artistas e ao publico :-). Se queremos ter um país de turismo temos que ter algo para oferecer durante o ano todo ( e não apenas festivais, carnaval, passagem de ano e praia). E o que temos de mais valioso que a nossa cultura???

João disse...

... please!!!
não fales mais sobre o ciclo de teatro que está a acontecer no Mindelo, senão vou ficar ainda mais danado por não estar aí nesta altura :((
... e depois, alguém vai pagar/sofrer com isso ;-)